Nosso Olhar...

Iniciamos esta reflexão com algumas interrogações a serem respondidas durante a leitura que faremos.
- O que a juventude tem tido como sonho profissional, se a meios possíveis de se chegar neste sonho e se a coerência de suas convicções de vida tem possibilidade de permanecerem intactas nesta inserção ao mercado?
Pesquisas nacionais têm mostrado que o trabalho está entre os principais assuntos que mais mobilizam o interesse dos jovens. O trabalho também é por eles indicado como um dos direitos mais importantes de cidadania, assim como um dos direitos essenciais dos quais deveriam ser detentores. Vale dizer que a centralidade do trabalho para os jovens não advém tão-somente do seu significado ético, ainda que este seja relevante, mas resulta também, e sobremaneira, da sua urgência enquanto problema:
(...) é, sobretudo enquanto um fator de risco, instabilizador das formas de inserção social e do padrão de vida, que o trabalho se manifesta como demanda urgente, como necessidade, no coração da agenda para uma parcela significativa da juventude brasileira. Ou, de outra forma, é por sua ausência, por sua falta, pelo não trabalho, pelo desemprego, que o mesmo se destaca. (GUIMARÃES, 2004, p.12)
A atual situação do jovem no mercado de trabalho tem sido desafiante, diante de tanta exigência por qualificação. Considerando que jovens são uma parcela significativa da população situada na faixa etária entre 15 a 29 anos de idade. Estes foram divididos em três subgrupos: os de jovens de 15 a 17 anos (jovem adolescente), os de 18 a 24 anos (jovem-jovem); e os de 25 a 29 anos (jovem adulto).
Tal divisão, que não passa de um arbitrário cultural, tem pautado as ações governamentais voltadas à juventude do país.
O ingresso no mundo do trabalho constitui-se, tradicionalmente, em um dos principais marcos da passagem da condição juvenil para a vida adulta. No entanto, nas últimas décadas, em funções de intensas transformações produtivas e sociais, ocorreram mudanças nos padrões de transição de uma condição à outra. O diagnóstico dominante aponta para as enormes dificuldades dos jovens em conseguir uma ocupação, principalmente em obter o primeiro emprego, dado o aumento da competitividade, da demanda por experiência e por qualificação no mercado de trabalho. Com isso, a transição para a vida adulta tem sido retardada, o que por vezes o frustra nas suas escolhas futuras, já que o mercado lhe insere por meio do que o próprio dita ser a única opção do individuo sem qualificação e que se tornam mão de obra barata e apenas força braçal ou serviços domésticos. Quando o jovem consegue a sua inserção neste mercado, passa por vezes por cima de convicções éticas que havia construído e que não são levados em conta, já que se este quiser sua permanência neste meio apenas ficara a mercê das decisões alheias isso trás frustação e descrença de futuro promissor.
Para muitos jovens, é seu próprio trabalho que lhes possibilita arcar com os custos vinculados à educação. Para muitos também, especialmente os integrantes das camadas populares, os baixos níveis de renda e capacidade de consumo da família redundam na necessidade do seu trabalho como condição de sobrevivência familiar.
No que tange à inserção no mercado de trabalho, as trajetórias ocupacionais dos jovens têm sido marcadas pelo signo da incerteza: estes ocupam as ofertas de emprego que aparecem, normalmente de curta duração e baixa remuneração, o que deixa pouca possibilidade de iniciar ou progredir na carreira profissional. Isto sem que se tomem em consideração as rápidas transformações tecnológicas que se refletem no mercado de trabalho, modificando especializações em pouco tempo, e tornando obsoletas determinadas profissões.
A questão do trabalho é uma das grandes preocupações da juventude e também o é no campo das políticas públicas para a juventude. Existe uma convicção generalizada em transformar o ser jovem em uma massa homogênea diante da sociedade desrespeitando a pluralidade que nela consiste, com isso torna-se convicto por parte de alguns de que é necessário desenvolver programas e ações que melhorem a situação atual, levando-se em conta o aumento da vulnerabilidade deste grupo social, a limitada oferta de oportunidades, e as especificidades da condição juvenil contemporânea, mas de fato que tipo formação tem sido pensada com relação a cultura juvenil de sua localidade, pois nesse imenso pais onde todos falamos uma só linguagem mas onde não vivemos uma só realidade.
O desemprego entre os jovens brasileiros é significativamente superior ao do restante da população. Ainda que, ao longo dos anos, tenha havido aumento das médias de escolarização dos jovens e uma melhora nas condições de trabalho – com alta da formalização –, não se observou aumento correspondente na oferta de empregos e essas formações tem sido compatível com a necessidade de qualificação.
Diante de um cenário de altas taxas desemprego, e de desestruturação e precarização do trabalho, como a juventude tem reagido? Hoje, jovens de todas as classes e situações sociais expressam inseguranças e angústias ao falar das expectativas em relação ao trabalho, no presente e no futuro. Eles vivenciam, de modo sofrido e dramático, o que alguns estudiosos têm chamado de “medo de sobrar” (NOVAES, 2007).
A juventude constitui um momento determinado, mas não se reduz a uma passagem; ela assume uma importância em si mesma.
Todo esse processo é influenciado pelo meio social concreto no qual se desenvolve e pela qualidade das trocas que este proporciona. É nesse sentido que enfatizamos a noção de juventudes, no plural, para enfatizar a diversidade de modos de ser jovens existentes. Assim compreendida, torna-se necessário articular a noção de juventude à de sujeito social.
Por: Ana Karina Rocha.

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